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sexta-feira, 1 de maio de 2015

Personalidade de Vícios

Acredito piamente que pouquíssimas coisas na vida possam ser divididas simplesmente em boas ou ruins. Preto ou branco. A vida é cinza.



Gosto de imaginar que há uma fresta de esperança detrás até mesmo da mais escura das nuvens de uma tempestade.

É questão de perspectiva.

Às vezes o seu ponto de vista, em um determinado momento, simplesmente não vai permitir que você veja o verdadeiro significado de acontecimentos na vida que possam ser classificados como ruins; como não passar num vestibular, conseguir uma vaga de emprego muito almejada ou o fim daquele relacionamento.

A vida pode parar para nós - pelo menos temporariamente. Mas, muitas vezes, nós vamos olhar para trás, exatamente para esses eventos traumáticos, e dizer: "Até que não foi tão ruim como eu pensava". Eu mesmo sempre comentei com um amigo em determinadas situações pontuais: "Cara, um dia vamos lembrar disso e RACHAR."

Talvez após alguns meses no ninho da solidão e dos relacionamentos superficiais você tenha encontrado um(a) guri(a) "melhor" - ou um emprego que lhe satisfaça da forma que aquele, outrora dos teus sonhos, jamais o faria (aconteceu comigo!). O tempo tem esse poder incrível de nos fazer enxergar a pior catástrofe de nossas vidas como uma bênção.

Este conceito não é, de forma alguma, limitado apenas a relacionamentos ou trabalho. É uma mentalidade que você pode transpor a praticamente qualquer coisa que a vida lhe imponha - enquanto você mantiver uma perspectiva positiva. 

Minha "personalidade de vícios" começou a ser a maneira de lidar com as minhas diversas catástrofes pessoais a partir do momento que tomei consciência dela e me conheci melhor.

À primeira vista pode parecer que eu esteja querendo levar vocês para um caminho louco/retardado cuja única saída seja um centro de reabilitação ou manicômio. Prometo que minha definição de personalidade de vícios não envolve toxicodependência ou qualquer outra coisa insana (só um cadinho).

Apenas a suscetibilidade ao vício - e um entusiasmo absurdo para as coisas. O Exagero!

Acredite, se você canalizar suas paixões corretamente, você vai desejar o sucesso tanto quanto um fumante deseja o primeiro cigarro do dia.

De acordo com o site alcoholrehab.com (site internacional da luta contra alcoolismo e drogas), nem todas as pessoas com tendências a vícios vão para o fundo do poço. Muitos são líderes em suas profissões, sendo que tais "revés psicológicos" foram fundamentais para que alcançassem suas posições de sucesso.

Ao delinearmos as características notáveis da personalidade de vícios e canalizando-as para os resultados positivos, conseguimos mudar a maneira de enxergar a nossa própria disposição.
  


Paixão pelas Coisas


Caso você tenha uma personalidade de vícios, será inerentemente mais apaixonado pelas coisas do que seus pares. Embora isso possa soar como algo grandioso - cuidado - há uma linha tênue entre paixão e obsessão.

Sua paixão pode ser o seu maior trunfo, como também pode ser a sua ruína. É necessário certo esforço para distribuir essa paixão num campo mais amplo de interesses, com o intuito de evitar a fixação por uma só coisa ou atividade.

Por outro lado, faça o que fizer, não suprima essa paixão. Há sempre coisas novas e interessantes na vida - ao invés de meramente se privar de fazer algo irrazoável no contexto do momento, aplique toda essa energia em outro lugar e pare de ficar remoendo aquela impossibilidade/inconveniência.

Ansiedade Louca por Emoções


Ah, o desejo constante por excitação que define os seres com essa personalidade. Necessitamos da nossa dose semanal (ou diária) de emoção e estamos constantemente à procura de uma fonte de estímulo - seja um livro, uma série de televisão, um projeto e, principalmente, gente interessante.

Para garantir que você não seja uma vítima de vícios prejudiciais, recomendo manter-se ocupado com atividades construtivas (o que não significa atividades necessariamente ligadas ao trabalho). Caso suas intenções sejam, por exemplo, ganhar dinheiro com a sua arte, pesquise as suas opções, converse com pessoas do ramo, dê a cara a tapa e se anime com tudo que tal escolha pode te proporcionar - se esforçar com um objetivo claro em mente é bem mais fácil.

Utilizemos nossa grande tendência de criar hábitos para criarmos bons hábitos. Ler, conversar com estranhos (o "cara de pau way of life"), escrever, se manter sempre atualizado em seu campo de trabalho - tudo isso aumenta as chances de nos excitarmos com nossas próprias aspirações, que nos torna mais completos, interessantes e vivos a cada "vício" desenvolvido. 

Se defina e tome as rédeas da própria vida.

Riscos


Possuímos afinidade com a ideia de assumir riscos e seus desafios. Naturalmente, há um senso de vulnerabilidade que acompanha tal assunção.

Diante deste fato, acredito ser bom termos algo a perder. Significa que aquela coisa, ideia ou pessoa que conquistamos possui grande valor para nós - o que é admirável por si só.

Riscos fazem parte de nossas vidas, como também do sucesso. As conquistas mais notáveis da história da humanidade podiam ter dado errado em algum momento e só aconteceram porque alguém teve o culhão de arriscar muito para continuar lutando pelos seus ideais.

Exemplo de um cara que arriscou tudo (literalmente TUDO) por um ideal próprio: Mohandas Karamchand Gandhi.

Ao pular de cara nos desafios inerentes ao "novo" da vida, certifique-se de que você tem certa noção (uma vez que a certeza é impossível) das consequências potenciais de um passo em falso, apenas para que você fique pronto para se reerguer caso seja necessário.

Inconformismo


Há uma fortíssima ligação entre o inconformismo e pessoas com personalidades de vícios. Em diversas situações, nos vemos como rebeldes, agindo de acordo com ideais que não são necessariamente previstos pelas consolidadas "regras" da sociedade.

Steve Jobs, por exemplo, se envolveu com uma variedade de drogas, quase nunca (ou nunca?) usava sapatos (o que seria um crime previsto em diversos dress codes empresariais por aí!) e implementou a ideologia do inconformismo em seu ambiente de trabalho - trazendo de lambuja mudança para o mundo em que vivia.

Dito isto, é de suma importância lembrar que o mundo não gira em torno de você ou da sua linha de raciocínio - nem todos conseguirão enxergar o mundo da sua forma maravilhosa e única, por mais que você se esforce muito na explicação.

Seja paciente (tive calafrios ao escrever essa palavra que representa a antítese da minha essência). Seja respeitoso e, ao longo do tempo, aplique sua visão delicadamente e a desenvolva gradualmente. Há uma boa chance de seus pontos de vista "absurdos" serem compreendidos e até admirados. O sucesso é o mestre da persuasão quando se trata de mudar a opinião das pessoas.

Falei que era uma questão de perspectiva.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Love Early On

Sou um cara solteiro de vinte e tantos anos, que atualmente zomba a ideia de casamento como ele é e das expectativas da sociedade sobre quando as pessoas devem se casar. Alguns já ouviram minha opinião sobre as pressões que sofremos por conta da nossa bagagem histórica e cultural que leva a maioria das pessoas a rapidamente escolher uma faculdade e depois arranjar um emprego para depois casar, ter filhos e se "estabelecer" cedo nessa vida.

Isso tudo nem sempre é certo e desejável para todos.



Hoje sou (infinitamente) menos idealista, mais independente e forte - ficar solteiro por um tempo razóavel certamente fez com que tudo isso acontecesse. Mas preciso lhe confessar que às vezes me pego desejando ter encontrado o amor mais cedo na minha vida.

Quando eu estava no final da minha adolescência, eu me apaixonava imprudentemente. Sempre enxergava potencial nas pessoas que me interessavam para o futuro e pequenas falhas nunca me incomodavam, porque elas eram apenas isso - pequenas falhas.

Havia um grande misto de excitação e esperança sem igual, incomparável com o que eu sinto agora quando eu começo a sair com alguém.

Definiria tudo como uma explosão de hormônios e emoções.

Eu era jovem e apaixonado - naqueles tempos isso bastava. Hoje em dia lembro-me desses sentimentos enquanto eu navego em encontros cegos e romances de Tinder com cautela, desejando que tudo voltasse a ser fácil como fora outrora.

Estudo as pessoas que só conhecem esse tipo ingênuo de amor - o tipo fácil e simples, que não envolve esse turbilhão de ideias geradas pela maturidade.

Entre quando eu senti pela primeira vez borboletas no estômago por uma guria e agora, aprendi o outro lado do amor, sobre o qual já escrevi nesse blog.

Percebi que à medida que ficamos mais velhos, os riscos aumentam, o que pode tirar um pouco da graça de se apaixonar. Você não está mais apenas passando tempo com a pessoa que faz o teu coração bater mais rápido pelo simples prazer de fazê-lo. Há expectativas do outro lado, uma vez que estamos caminhando para a vida "adulta" e fomos criados em uma sociedade com bagagem cultural fortemente cristã.

Todo mundo se torna uma combinação de prós e contras meticulosamente analisados.

Você não pode sair com alguém por algumas semanas sem que teus amigos e a família comecem a perguntar se aquilo já é "sério". Muitas vezes não posso ficar com alguém por algumas semanas sem que eu seja questionado por tal pessoa sobre essa "seriedade". O que é sério? Pra que serve isso?

O que costumava ser divertido tornou-se uma confusão de prazos e expectativas.
   

Eu sei o que você quer dizer para mim - cada caminho é diferente e as nossas experiências moldam quem somos e que um dia, alguém vai aparecer e fará tudo isso valer a pena. E na real? Eu acredito nisso. Pelo menos alguns dias da semana.

Mas eu não deixo de me perguntar o que seria ter evitado certas angústias. Ter me apaixonado definitivamente aos 20 e nunca ter conhecido o Tinder, participado de encontros cegos ou ter que adivinhar o significado de mensagens de texto enigmáticas.

Teria sido mais fácil? Seria eu mais feliz?

Provavelmente seria apenas um caminho diferente, cheio de desafios próprios. Eu nunca saberei, uma vez que não encontrei o amor cedo na vida.

Eu ainda tenho esperança. Espero que a guria certa, com cabeça aberta e paixão por longas conversas e prazeres apareça na minha vida para que eu me apaixone com facilidade e de forma pacífica, sem cobranças do porquê eu não respondi o WhatsApp em menos de 7 segundos ou do porquê eu quis sair sozinho em determinado final de semana. Algo divertido, emocionante e com infinitas possibilidades.

E, enquanto isso, acho que continuarei brincando no Tinder, indo em péssimos encontros e rindo disso com meus amigos enquanto tomamos umas.

Até mesmo porque, um dia, essas histórias serão apenas lembranças engraçadas.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Alma Gêmea?


I gotta stay high all the time to keep you off my mind

Filósofos e escritores adoram refletir sobre a existência de almas gêmeas. Tendem a vê-las como espelhos de si mesmos.

Alguns descrevem sua alma gêmea como "A outra metade de mim... o meu reflexo." Emily Bronte escreveu: "Do que quer que nossas almas sejam feitas, a dele e a minha são da mesma coisa."

Os que possuem uma alma gêmea enxergam o mundo da mesma maneira que aquela pessoa. Conhecer alguém que possui a capacidade de terminar suas frases, ou até mesmo adivinhar o que você está pensando, gera uma atração muito poderosa. Faíscas voam e você se sente compreendido.

Quando química física entra na mistura, a razão se rende à emoção.



Muitos de nós acreditamos que deveriámos gastar muito tempo com nossas almas gêmeas. O ideal seria se casar com eles.

Eu digo: péssima ideia.

Uma ideia melhor seria seguir a sabedoria de duas Elizabeths que concebem um relacionamento profundamente gratificante, o qual não envolve duas pessoas que se enxergam como iguais.

De acordo com Elizabeth Barrett Browning, uma relação ideal é aquela em que ambos não se refletem, mas inspiram uns aos outros:
  
"Eu te amo, não só pelo que você é, mas pelo que eu sou quando estou com você. Eu te amo, não só pelo que você fez de si mesmo, mas pelo que você está fazendo de mim. Eu te amo pela parte de mim que você traz para fora."

Elizabeth Gilbert vai além, afirmando que uma relação real com uma alma gêmea pode até ser perigosa:

"Uma verdadeira alma gêmea é um espelho... Uma verdadeira alma gêmea é provavelmente a pessoa mais importante que você conheceu ou vai conhecer, pois ela vai derrubar seus muros e te acordar pra vida. Mas viver com uma alma gêmea para sempre? Nah, muito doloroso. Almas gêmeas: elas entram em sua vida apenas para lhe revelar uma outra camada de si mesmo para você, e então eles saem."

Ficar com alguém que vê o mundo da mesma maneira que você pode ser muito interessante e emocionante, mas a emoção pode se desgastar. E pior, muito tempo com sua alma gêmea pode impedi-lo de tornar-se (e permanecer) a melhor versão de si mesmo.

Por exemplo: se ambos tendem a pensar muito ou possuem tendências de auto-absorção (como muitas pessoas que gastam muito tempo pensando em encontrar suas almas gêmeas o fazem), nenhum de vocês vai reconhecer essas tendências no outro. Se ambos são tímidos e preocupados em não ferir os sentimentos das pessoas, provavelmente não vão se comunicar diretamente. Por outro lado, se ambos são cabeças quentes e tendem a ser muito diretos, haverá muitas brigas e a tendência é de casualidade com os sentimentos um do outro. Estes tipos de dinâmica entre almas gêmeas podem ser desastrosos para os relacionamentos da vida real e casamentos.

Além disso, uma vez que nós possuímos a tendência a sermos duros consigo mesmos sobre os defeitos que não gostamos, é inevitável que haverá também a tendência a sermos brutalmente duros com nossos "espelhos" no momento que percebermos tais defeitos neles. Talvez seja isso que Gilbert quis dizer quando falou sobre dor e derrubar muros devido à conexão com almas gêmeas. Podemos aprender MUITO com a dor e talvez esse seria o ponto, a real finalidade de tal relacionamento. Um bom parceiro muitas vezes não compartilha todas as nossas inseguranças - as acha até encantadoras. Eles nos perdoam por nossas falhas e nossos pecados e nos incentivam a evoluir.

Pegando a filosofia da Gilbert emprestada e adicionando meu toque pessoal: Almas gêmeas são espelhos e estão entre as pessoas mais importantes que você vai conhecer na sua vida, mas talvez não sejam boas pessoas para viver juntos ou casar. No entanto, você não precisa fechá-los para fora de sua vida. Eles podem ser bons amigos que lhe ajudam a lembrar quem você é e aonde pode melhorar.

Talvez mais importante (e gratificante) do que passar a vida com o seu "espelho" seja passar a vida com alguém que presta atenção em você, que gosta de você de forma sincera, que aprende com você e te ensina, além de trazer à tona o seu melhor (e claro, te deixa com vontade de retornar tais favores com o maior prazer). O personagem de Jack Nicholson trata disso no filme "Melhor É Impossível" quando ele diz à personagem de Helen Hunt: " Você me faz querer ser um homem melhor." Um grande parceiro da vida real inspira você a tentar ser a melhor versão de si mesmo (e te apoia mesmo se você falha às vezes).

Almas gêmeas muitas vezes se encaixam com o amor não correspondido (ou que já não é mais requisitado). Sem descurar o glamour e o valor das almas gêmeas, é frustrante e doloroso concentrar o seu amor em alguém que não possui a vontade de um relacionamento real com você ou mesmo quando você não possua tal intenção.

Você pode amar um parceiro que te inspira ao invés de um espelho de si mesmo - e vice-versa - não tanto quanto, mas MAIS do que sua alma gêmea.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

As pessoas interessantes andam por aí, se escondendo.

Esses dias um amigo me indicou um texto que explora a falta de emoção nos relacionamentos e o fato de que conhecer novas pessoas não está sendo tão incrível como poderia ser. Me identifiquei bastante com o autor, uma vez que já me fiz essa pergunta diversas vezes: por onde andam as pessoas interessantes?


"Be yourself; everyone else is already taken." - Oscar Wilde 

Como o autor, vivi o limbo sentimental causado pelo amadurecimento, esperando que alguém aparecesse para de lá me tirar, desejando sentir a inspiração necessária que gerasse aquela vontade de se conectar com alguém. Minha conclusão é de que realmente anda difícil encontrar conexão emocional nos dias de hoje, tanto pelas razões expostas no texto (como os aplicativos tinderianos e a crescente efemeridade dos relacionamentos) como por outras que pretendo aqui expor.

Em um mundo de mais de 7 bilhões de pessoas é de se esperar que ficaríamos espantados com a grande variedade de gostos, personalidades e loucuras. Mas, infelizmente, a maioria das pessoas tende a se tornar semelhante aos outros, ignorando aquilo que as torna únicas, vítimas do influente fenômeno da padronização do século XXI - época em que ser feliz se traduz em ser popular, ter sucesso profissional, um carro novo e uma aparência impecavelmente copiada de outros.

A maioria tem os mesmos desejos, esperanças e sonhos. Queremos um bom emprego ou negócio para ganhar dinheiro e prestígio, para então passar os finais de semana colecionando momentos em forma de fotografias/selfies, com o questionável intuito de angariar a maior quantidade possível de likes nas redes sociais, deixando de viver tais momentos com a intensidade a que fazem jus e, ao mesmo tempo, fazendo uma propaganda enganosa de nós para os outros e para nós mesmos.

Sendo assim, percebo que em grande escala somos únicos, como aqueles vídeos e textos inspiradores insistem em dizer. Cada pessoa é de fato diferente. No entanto, numa escala menor, somos o mesmo do mesmo - uma sociedade de abelhas onde o papel de cada um é previamente definido, onde cumprir expectativas alheias é sinônimo de sucesso, sendo que a verdadeira personalidade e as prioridades pessoais ficam engavetadas e trancadas dentro de nós, a ponto de sentirmos vergonha de abrir tal compartimento.

Observo pessoas que precisam ser políticas, no sentido bajulador da palavra, para sobreviverem. Dissimulando e interpretando uma personagem para conseguirem agradar, cometendo um atentado contra a própria personalidade. Tais pessoas até conseguem de certa forma satisfazer aqueles ao seu redor, negociando a sua identidade, pagando o preço todos os dias ao se olhar no espelho e saber que não são quem elas são. Como uma doença contagiosa, tal atitude se espalha pela violenta transmissora que é a sociedade moderna e seus meios de comunicação de massa.

Em  um mundo de mais de 7 bilhões de pessoas penso que mais delas poderiam prender a nossa atenção, nos surpreender. Deixo minha gaveta aberta e, quando eu conheço uma pessoa (tanto amigos como paixões) que me pega de surpresa, alguém que é verdadeiramente único e autêntico, eu procuro mantê-la em minha vida. Acredito que as pessoas interessantes andam ao nosso lado, afinal, todos tem o potencial dentro de si, faltando em alguns apenas a vontade de pegar a chave daquela gaveta e realizar um simples movimento - o de viver e não o de existir. Nossa identidade não tem preço e nunca deveria ser negociada, apenas aperfeiçoada pela sabedoria.

Finalizo com a seguinte cena de um dos meus filmes preferidos, a qual ilustra bem o que eu quero dizer:



terça-feira, 1 de julho de 2014

Sabedoria

Sabedoria (Sophia) é a verdade bem merecida.


Século XXI: estamos nadando em um mar de conhecimento. Todos os dias dizem-nos o que nós queremos e o que precisamos fazer para conseguir. Entretanto, sem contexto ou conexão, o conhecimento não significa absolutamente NADA. O conhecimento não é equivalente à sabedoria. A sabedoria não pode ser dita para você. Ela não pode ser encontrada aqui na internet. Ela só pode ser adquirida através de uma busca pessoal e interna.

Aristóteles, Platão, Homero e tantos outros filósofos da história têm suas próprias definições de sabedoria. Para mim a sabedoria é a síntese de conhecimentos e experiências em introspecções que aprofundam nossa compreensão do significado da vida.

Tanto os conhecimentos como as experiências são necessários, uma vez que teorias sem experiências podem se revelar falsas e experiências sem teorias podem não ser universais.

Uma vez que você começa a adquirir sabedoria (um processo sem fim, diga-se de passagem), duas coisas extraordinárias podem ocorrer: primeiro você começa a entender o seu propósito e como alcançá-lo, e, em segundo lugar, você começa a ligar a sua sabedoria com a de outras pessoas através do espaço e do tempo (finalmente descobri o motivo de eu sempre amar estudar história). Padrões emergem como degraus de escada e, conforme você vai subindo, você vai experimentando a unicidade de todas as coisas:

Entendimento - O primeiro passo para o sucesso em qualquer coisa é entender a si mesmo, os outros, o mundo e como tudo se encaixa. Eu diria que é impossível entender tudo que o grande e misterioso universo nos oferece e, na minha opinião, é o processo mais árduo na busca pela sabedoria;

Ação - Após (e somente após) entender alguma coisa do mundo e do seu lugar nele, você pode fazer qualquer coisa que você colocar na sua mente, contanto que você faça algo para atingir seus objetivos. O sucesso não cai no colo de ninguém - não sem um preço.

Unicidade - Conforme você for adquirindo sabedoria, você vai começar a fazer conexões entre o que é verdade, o amor, a beleza e vai começar a apreciar a riqueza e diversidade de ideias de pensadores através do tempo e do espaço.

Humildade - Por fim, devemos ter em mente que nunca saberemos de tudo. Seremos eternos aprendizes da vida. Sábio foi o senhor que disse: "Só sei que nada sei."

sábado, 31 de maio de 2014

O que o Amor não é

Ao longo dos anos formamos um monte de ideias sobre o que é o amor, muitas vezes com base em esperanças e padrões ideais e irrealistas, já que não é uma coisa que pode nos ser ensinada como matemática ou história. Aprendemos apenas o que imaginamos que deva ser, ao observar nossas famílias, amigos e histórias de vida que chegam ao nosso conhecimento. Quando menos imaginamos, a realidade pode vir a bater em nossa porta e, sem a menor delicadeza, gritar na nossa cara: FRUSTRAÇÃO.

Muitas vezes ela o faz. O amor pode ser bagunçado, confuso e imperfeito - assim como nós e a própria vida.

O que histórias românticas de cinema e aquela pessoa com a "vida perfeita" nem sempre nos dizem é o que o amor NÃO é. Às vezes é preciso despir ideais, a fim de compreender e apreciar o que é real. Pé no chão minha gente, mesmo que tua cabeça esteja na lua.


O amor não é sempre paciente. Às vezes ficamos irritados, sem paciência, ou frustrados com as pessoas que mais amamos. Devemos reconhecer a imperfeição de todos os seres humanos, respirar profundamente, para só então fazer o nosso melhor ao tratá-las com compaixão e compreensão.

O amor nem sempre é bondoso. Às vezes dizemos e/ou fazemos coisas às pessoas que mais amamos que nos fazem sentir o mais amargo arrependimento. "Água mole em pedra dura tanto bate até que fura" - o mesmo ocorre quando você ofende quem te ama de forma recorrente. A solução é simples (e por vezes difícil): deixar o orgulho de lado, assumir a responsabilidade e, em seguida, fazer o melhor para sermos carinhosos e atenciosos em nossas interações futuras.

O amor nem sempre é altruísta. Às vezes deixamos de considerar as necessidades das pessoas que mais amamos. Não quer acompanhá-la naquela festa com as amigas, mesmo que isso seja mega importante para ela? Insiste em passar o carnaval na praia ao invés de visitar a avó dela no interior? Quem nunca foi egoísta que atire a primeira pedra. Há de se encontrar um modo de colocar o sentimento dos dois em uma balança, para então definir o equilíbrio entre dar e receber. Sem equilíbrio qualquer amor está fadado ao fracasso.

O amor nem sempre é confiança. Às vezes a gente duvida das pessoas que mais amamos, ou pior, damos razões para elas duvidarem de nós. Devemos lançar um olhar mais atento sobre nossas suspeitas e enxergar o melhor ao invés de assumir o pior. Havendo sentimentos por terceiros, devemos nos questionar imediata e incansavelmente até chegarmos a uma resposta definitiva e honesta, evitando assim causar maiores sofrimentos aos envolvidos.

O amor às vezes inveja, às vezes se irrita e às vezes mantém um registro de todos os erros. O amor faz tudo isso porque às vezes NÓS fazemos tudo isso.

Reconhecer isso não significa tolerar isso; significa reconhecer que o amor não nos cura da nossa tendência natural e humana de errar. Meus erros foram meus maiores professores e, com certeza, caso eles não tivessem existido, você não estaria lendo isso aqui.

O amor não falha porque erramos de vez em quando. Ele falha quando deixamos de aceitar que todos nós erramos. É mais fácil e cômodo pensar que algo está errado ao invés de torná-lo certo.

O amor não é, portanto, sinônimo de um ideal perfeito e de uma vida sem conflitos. Amor é querer trabalhar para superá-los juntos. É, por fim, um sentimento humano, sujeito a imperfeições, o qual não funciona por inércia, mas sim devido à força de vontade de cada um. É inexplicável em sua origem, e possui seu destino inteiramente em nossas mãos.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Bushido

Nesse final de semana fui a um churrasco e, ao tirar a camiseta devido ao clima ameno de Campinas dos últimos dias, fui questionado sobre o significado da minha tatuagem das costas.

Tenho tatuadas as virtudes que servem como base para a filosofia samurai que se originou no Japão medieval, enquanto a Europa se encontrava mergulhada na Idade das Trevas. Normalmente tento explicar que a tatuagem não se trata uma receita fácil de temaki, dando uma ideia superficial dos conceitos básicos de tal filosofia que tento (ênfase no verbo TENTAR) aplicar na minha vida. Resolvi escrever hoje um pouco mais sobre esse assunto que tanto me fascina.


Um breve resumo da história dos Samurai



Samurai na década de 1860

A palavra samurai originalmente significava "aquele que serve", e se referia aos homens de nascimento nobre designados para proteger os membros da Corte Imperial japonesa desde o século VII D.C. Essa ideia de "serviço" gerou as raízes da "nobreza samurai", tanto social como espiritualmente.

Ao longo do tempo, a nobreza teve problemas para manter o controle centralizado da nação e começou a "terceirizar" tarefas militares, administrativas e de coleta de impostos aos seus antigos rivais que atuavam como governadores regionais.

Conforme a Corte Imperial foi se tornando mais fraca, tais governadores locais tornaram-se mais poderosos. Eventualmente alguns evoluíram para Daimyo (uma espécie de senhor feudal do japão medieval) que governavam territórios específicos de forma independente do governo central.

Em 1185 Minamoto no Yoritomo, um daimyo das províncias orientais (que traçou sua linhagem de volta à família imperial), após a Guerra Genpei, estabeleceu o primeiro governo militar do país (com Minamoto como Shogun) e o Japão entrou no seu período feudal (1185-1867 D.C.).

O país funcionou essencialmente sob o regime militar por quase 700 anos, mas a estabilidade inicial que Minamoto havia alcançado não trouxe uma paz duradoura. Outros regimes iam e vinham, e em 1467 o governo militar nacional caiu, mergulhando o Japão no período mais turbulento de sua história - o Sengoku Jidai.

Assim começava mais de um século de lutas sangrentas, quando daimyos lutavam para proteger os seus domínimos e planejavam conquistar seus rivais. No momento em que o Japão mergulhou nesse período turbulento de guerras, o termo samurai havia tomado o conceito de funcionários armados do governo, oficiais de manutenção da paz e soldados profissionais. Em suma, quase qualquer um que carregava uma espada e estava pronto e capaz de exercer força letal.

Os piores desses guerreiros japoneses eram pouco melhores do que bandidos de rua; os melhores foram ferozmente leais aos seus mestres e fiéis ao código não escrito de comportamento cavalheiresco hoje conhecido como Bushido (geralmente traduzido como "Preceitos de Cavalheirismo" ou "Caminho do Guerreiro").

Virtuoso ou vilão, o samurai surgiu como a figura central da história japonesa: um arquétipo romântico que lembra os cavaleiros medievais da Europa (mas que possui ideologia bem distinta).

Os samurai mudaram drasticamente após Tokugawa Ieyasu ter vencido a guerra do período Sengoku e pacificado o Japão em 1600. Com a sociedade civil em paz, seu papel como lutadores profissionais foi substituído pelo desenvolvimento espiritual, artístico, pelo magistério e treinamento marcial.

Em 1867, com a queda do shogunato Tokugawa e o advento da restauração Meiji (tema do filme "O Último Samurai"), o porte público de espadas foi proibido e a classe guerreira foi abolida. A partir deste ponto os samurais entram para a história...


O Código do Bushido


Apenas algumas décadas após a abolição da classe guerreira do Japão, o então presidente dos EUA, Theodore Roosevelt, ficou entusiasmado com um recém-lançado livro intitulado Bushido: A Alma do Japão. Ele comprou cinco dúzias de cópias para a família e amigos. Tal livro passou a se tornar um best-seller internacional, no qual o autor Nitobe Inazo interpreta o código samurai de comportamento: como os homens devem agir em suas vidas pessoais e profissionais.

O trabalho de Nitobe se baseia em extraordinários preceitos de conduta que se originaram do comportamento dos samurais que levavam a filosofia a sério. O que os leitores de hoje podem achar mais esclarecedor sobre Bushido é a ênfase na compaixão, benevolência e as outras qualidades não marciais da filosofia, das quais falarei a seguir:

I. Retidão ou Justiça


O Bushido não se refere apenas à retidão marcial, mas também a pessoal: Retidão ou Justiça é a virtude mais forte da filosofia. Um famoso samurai a define assim: Retidão é seu poder para decidir sobre uma linha de conduta de acordo com a razão, sem vacilar; morrer quando se deve morrer, atacar quando se deve atacar. Outro o faz nos seguintes termos: Retidão é o osso que dá firmeza e estatura. Sem ossos a cabeça não pode descansar em cima da coluna, nem mãos se movem, nem pés suportam. Assim, sem justiça, nem talento nem aprendizagem podem tornar o corpo humano em um samurai.

II. Coragem


A coragem é uma extensão da justiça e só é útil quando combinada com a moral correta. Coragem é digna de ser contada entre as virtudes apenas se for exercida em prol da justiça e retidão, sendo completamente dependente da virtude anterior. Em seus Analectos, Confúcio diz: Perceber o que é certo e não o fazer revela a falta de coragem. Em suma, coragem é fazer o que é certo.

III. Benevolência ou Piedade


De um homem investido com o poder de comandar e matar era esperado que demonstrasse poderes igualmente extraordinários de benevolência e misericórdia: amor, magnamidade, afeto pelos outros, simpatia e piedade são traços da benevolência, o maior atributo da alma humana. Tanto Confúcio como Mêncio disseram diversas vezes que a maior exigência de um governante dos homens é a benevolência.

IV. Polidez

Discernir subserviência de polidez pode ser difícil para os visitantes casuais do Japão, mas para uma pessoa consciente a cortesia está enraizada na benevolência; Cortesia e boas maneiras são notadas como traços distintos dos japoneses pelos estrangeiros que visitam o país. No entanto, a polidez deve ser a expressão de uma relação benevolente para os sentimentos dos outros; é uma virtude pobre se motivada apenas pelo medo de ofender o bom gosto. Na sua forma mais elevada, a polidez se aproxima do amor.

V. Honestidade e Sinceridade


O Samurai não mentia, havendo diversos contos daqueles que foram condenados à morte por fazê-lo. O Samurai também não via a necessidade de contratos escritos, pois isso seria duvidar da veracidade de suas palavras.

Além disso, o verdadeiro samurai, segundo o autor Nitobe, desdenha dinheiro, acreditando que: os homens devem ter aversão ao dinheiro, pois a riqueza dificulta a aquisição de sabedoria. Assim, as crianças do alto escalão samurai foram criadas para acreditar que falar sobre dinheiro demonstrava mau gosto e que a ignorância do valor das diferentes moedas mostrava boa educação: o Bushido encorajava a frugalidade, não por razões econômicas, mas para o exercício da abstinência. O luxo era visto como a maior ameaça para a humanidade e a simplicidade era um requerimento da classe guerreira.

VI. Honra


Provavelmente o conceito mais profundo do Bushido é a honra. O senso de honra, uma consciência viva da dignidade pessoal e valor, caracterizava o samurai. Ele nasceu e foi criado para valorizar os deveres e privilégios de sua profissão. O medo da desgraça pairava sob a cabeça de todo samurai como uma espada. Ficar ofendido com pequenas provocações era motivo de ridicularização naquela sociedade (ser chamado de pavio curto era muito grave). A verdadeira paciência significa suportar o insuportável.

VII. Lealdade


A lealdade era tida como mais valiosa do que a própria vida. Os verdadeiros homens permanecem fiéis àqueles a quem são endividados (no sentido afetivo - amizades e relacionamentos - como também no vinculado à honra): Lealdade a um superior era a virtude mais distintiva da era feudal. Existe fidelidade pessoal entre todos os tipos de homens - uma gangue de batedores de carteira jura fidelidade a seu líder, mas somente no código de honra que a lealdade assume extrema importância.

VIII. Caráter e Auto-controle


O Bushido nos ensina que os homens devem se comportar de acordo com um padrão moral absoluto, que transcende a lógica. O que é certo é certo, o que é errado é errado. A diferença entre o bem e o mal e entre o certo e o errado são dados e não argumentos sujeitos a discussão ou justificação - a pessoa deve saber a diferença por si só.

Finalmente, é a obrigação de um homem ensinar a seus filhos os padrões morais através do modelo de seu próprio comportamento: O primeiro objetivo da educação samurai era construir o caráter, sendo que as faculdades mais sutis de prudência, inteligência e dialética eram menos importantes. A superioridade intelectual era estimada, mas um samurai era essencialmente um homem de ação.

Aplicação na Vida


Acredito que tais lições, apesar de extremamente complexas e, por conta disso, exigentes de esforço para sua real compreensão, sejam úteis para nos tornarmos pessoas melhores e atingirmos paz de espírito (a real felicidade, na minha opinião). O mundo moderno é imediatista e, pelo menos aqui no Brasil, percebo que as pessoas não têm se preocupado em refletir sobre suas ações e condutas, vivendo o presente de forma desenfreada, sem se preocupar com seu aprimoramento pessoal e sem pensar de fato no que está acontecendo ao seu redor, enquanto deveria aproveitar ao máximo cada momento.

"Se alguém entende plenamente o presente momento, não haverá mais nada a se fazer, e nada mais a perseguir. Viva sendo fiel ao propósito único do presente momento." - Yamamoto Tsunetomo

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Loucuras Normais

Uma das coisas que mais me incomoda na sociedade moderna é o fato de as pessoas não se permitirem agir como realmente são. Explicando melhor: as pessoas tem medo de não serem aceitas socialmente por serem diferentes ou pensar de maneira antonym (antônimo de mainstream).


O processo de agirmos como indivíduos únicos que somos é duro, tão duro que preferimos investir todos os recursos disponíveis a fim de evitar encarar essa batalha difícil, que é de todos nós - sem exceção.

Por esse motivo gastamos tanto tempo investindo num egocentrismo que é autodestrutivo (percebam o paradoxo). Quando nos concentramos apenas na satisfação dos nossos desejos, na vitrine da nossa imagem pessoal (Facebook e Instagram são exemplos disso: o indivíduo precisa postar uma foto de qualquer momento "feliz" para mostrar pros outros o quão "feliz" ele é) ou no saciamento de todos os apetites, acabamos nos privando do prazer maior, que é descobrir quem de fato somos e viver de tal forma.

A farsa mais poderosa e traiçoeira do egocentrismo está na ilusão, por ele criada, de que estamos pensando em nós mesmos e encontrando uma satisfação inteiramente legítima e pessoal, quando na verdade estamos nos tornando prisioneiros dos outros, dos valores que estes nos impõem como verdadeiros! A riqueza maior do ser humano é justamente o fato de que ninguém é igual a ninguém.

O erro maior é cometido quando agimos conforme instintos que surgem das regiões mais tensas e sombrias do nosso ser, sem nos darmos conta de que isso pode nos afastar de um conhecimento mais profundo de nós mesmos (auto-reflexão é essencial para nosso eterno amadurecimento). O que a originalidade de cada um requer é que deixemos de lado o comodismo e os subterfúgios ilusórios para enfrentarmos audaciosamente as nossas fraquezas, o nosso vazio. Qualquer coisa que interfira nesse processo de auto-análise nos faz desviar nossos olhos de nós mesmos, levando-nos a admirar a imagem que gostamos de construir no espelho artificial do egocentrismo - alguém que não somos.

Quando conheço uma pessoa (e aposto que vocês também pensam assim), quero conhecer aquela pessoa de verdade, como ela é: seus gostos, jeito de falar, loucuras e manias, pois são essas características que a distinguem da "normalidade" e ninguém, ninguém mesmo é normal.

Por fim, finalizo essa reflexão com um poema do saudoso Paulo Leminski, grande cara que me inspira:

Fechamos o corpo
como quem fecha um livro
por já sabê-lo de cor.

Fechando o corpo
como quem fecha um livro
em língua desconhecida
e desconhecido o corpo
desconhecemos tudo.